Índice Glicêmico, Carga Glicêmica e Pico de Insulina

Nutrição, 08/02/2018

Para a avaliação da resposta glicêmica produzida após o consumo de um alimento ou dieta, foram criados biomarcadores, como índice glicêmico (IG) e a carga glicêmica (CG).

O IG visa classificar os alimentos de acordo com a resposta glicêmica produzida pelo carboidrato do alimento estudado em relação a um alimento controle. Este alimento controle pode ser o pão branco ou a glicose. Cada tabela de IG formada a partir de um ou outro alimento controle, tem sua divisão de IG alto, IG médio e IG baixo. O IG alto seria uma preocupação maior em indivíduos em dieta hipercalórica, com resistência à insulina, sedentários, diabéticos. Em uma dieta para hipertrofia, o IG dos alimentos pode ser relevante, principalmente quando consideremos o saldo calórico total e a resposta à insulina individual (sensibilidade/resistência à insulina).

A CG tem por finalidade relacionar a resposta glicêmica da alimentação como UM TODO (e não somente a quantidade de carboidrato ingerida) com o risco de aparecimento das doenças crônicas não transmissíveis.

CG = IG (glicose como controle) x teor de carboidratos disponível na porção de 100g / 100

A resposta insulinêmica pela CG é mais relevante que o conceito de IG, quando se avalia um alimento isoladamente ou todo um plano alimentar.

CG dos alimentos: Baixa: menor ou igual a 10; Média: 11-19; Alta: maior ou igual a 20.

Baseado nestes dados podemos fazer algumas observações. Existem alimentos com IG alto e CG baixa. A melancia, tem IG 72 e a quantidade de CHO em 100 gramas é 7,19, segundo a tabela TACO (Tabela de Composição de Alimentos). Usando a fórmula, temos a CG de 5,1. Isso nos mostra que a capacidade que a melancia tem de elevar a insulina é baixa. Batata inglesa e abacaxi são outros exemplos. Há também alimentos que tem um IG baixo, porém uma CG alta, como é o caso do feijão cozido, iogurte e leite que elevam a resposta à insulina.

A CG pode ser calculada em relação a um alimento específico, em relação a uma refeição inteira e também há como saber a CG de todo o plano alimentar.

Alguns alimentos que já ouvi falar que “não pode comer porque tem muito carbo e vai subir a insulina”.
Cenoura crua: 10g Cho segundo tabela TACO. CG: 1,6
Cenoura cozida: 10g Cho segundo tabela TACO. CG: 5,8
Beterraba crua: 9,57g Cho segundo tabela TACO. CG: 6,1
Beterraba cozida: 9,97g Cho segundo tabela TACO. CG: 6,3
Tomate: 4,65g Cho segundo tabela TACO. CG: 1,7

Essa análise é apenas dos alimentos, agora imagine eles JUNTOS em uma refeição onde há alimentos fontes de proteína e gordura, que atrasam a digestão e mais alguns vegetais, onde haverá mais fibras ainda e toda essa refeição terá a digestão mais lenta ainda. E mesmo um alimento com uma CG alta, deve ser analisada o resto da refeição. Será mesmo que terá um pico de insulina tão significativo? Será que uma refeição pré-treino contendo farelo de aveia, banana e mel, onde a CG é 14 vai ser tão ruim assim? Será que algum pico de insulina irá causar o aumento da gordura corporal ou impedirá o emagrecimento? Ou seria mais importante TODO O CONTEXTO DA DIETA?

A anamnese nutricional serve justamente para isso, para o NUTRICIONISTA saber a atual alimentação da pessoa, fazer uma avaliação antropométrica e assim formar o diagnóstico e prescrever a dieta mais adequada para AQUELE MOMENTO.

Então, sempre que pegares alguma prescrição dietética para avaliar, NUNCA avalie o todo pela parte. É impossível analisar todo um plano dietético apenas por 1 alimento ou apenas 1 refeição.

Tente entender porque o NUTRICIONISTA colocou aquele alimento naquela refeição. Ficou com alguma dúvida sobre como organizar essas informações na sua alimentação, procure sempre um NUTRICIONISTA!

Responsável pelo texto: Nutricionista Lucas Damilano Pires

Referências
AQUINO, R.C.; PHILIPPI, S.T. Nutrição Clínica – estudos de casos comentados. Barueri: Editora Manole, 2009.
COMINETTI, C.; COZZOLINO, S.M.F. Bases Bioquímicas e Fisiológicas da Nutrição. Barueri: Editora Manole, 2013.
PHILIPPI, S.T. Tabela de Composição de Alimentos: 5 ed. Barueri: Manole, 2016.
No difference in body weight decrease between a low-glycemic-index and a high-glycemic-index diet but reduced LDL cholesterol after 10-wk ad libitum intake of the low-glycemic-index diet.
Sloth B, Krog-Mikkelsen I, Flint A, Tetens I, Björck I, Vinoy S, Elmståhl H, Astrup A, Lang V, Raben A.
Raatz SK, et al. Reduced glycemic index and glycemic load diets do not increase the effects of energy restriction on weight loss and insulin sensitivity in obese men and women. J Nutr. 2005 Oct;135(10):2387-91.
Raben A. Should obese patients be counselled to follow a low-glycaemic index diet? No. Obes Rev. 2002 Nov;3(4):245-56.